terça-feira, 16 de julho de 2013

domingo, 9 de setembro de 2012

Onde ficar em...


Nada pior que não fazer nem ideia de onde ficar quando se viaja. Para dar uma ajudinha para todo mundo e para facilitar minha própria vida (nunca mais vou mandar dicas de albergue por e-mail para ninguém hehe).

Agora ali no cabeçalho tem um link para "onde ficar em...". Ali, estou listando alguns dos albergues, hostels, hotéis em que já fiquei e que recomendo. Comecei com dois da Alemanha, mas a lista vai crescer, prometo! Se alguém aí quiser complementar a lista ou tiver algum pedido, é só deixar um recado ali nos comentários que eu adiciono!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Unsicht-Bar: de comer sem os olhos


Acho que nunca na vida tinha parado para pensar em como a gente, de fato, boa parte das nossas experiências gastronomicas começam pelos olhos. A visão é o primeiro crivo, o primeiro julgamento. Ela tem 50% da decisão de comer algo ou não. Já pararam para pensar naquele bolo fofinho e cheio de cobertura que enche os olhos e faz a boca salivar ou o prato estranho que a gente recusa pela aparência? Mais que isso, acho que nunca na vida eu tinha me perguntado sobre como deveria ser comer sem enxergar, sem ver absolutamente nada. E mais ainda sem nem saber o que esperar. Se deixar surpreender pelo olfato e o paladar e aceitar o que vier. Comer sem os olhos.

Foi por isso que no meu último fim de semana em Berlim chamei três amigos e fomos no Unsicht-Bar. O restaurante que fica no bairro de Mitte tem apenas a recepção iluminada. Nela, você abre o cardápio, pede as bebidas e é apresentado ao seu garçom. Todas as pessoas que trabalham servindo no Unischt-Bar são cegas ou enxergam quase nada. Eles que vão guiar seu grupo para a sala de jantar igual a esta foto aí em cima: completamente escura.

E como comer no escuro sabendo o que você vai comer não teria a mínima graça, o cardápio é dividido em menus que te dão só algumas dicas, mas não entregam exatamente o que se vai comer. Tem o menu vegetariano, com carne, com galinha, com frutos do mar e o menu surpresa. Nosso quarteto optou por três menus surpresa e um de carne foi orientado a desligar celulares e relógios com qualquer tipo de luz e seguiu com o garçom em fila indiana para a sala escura.

É engraçado como a gente fica perdido nessa situação. Éramos quatro jornalistas nos seus 25 anos completamente desconfiados e desorientados entrando em um salão onde a gente não via absolutamente nada e dependia do garçom para não sair chutando outros clientes. Fora algumas crianças acompanhadas dos pais (que eu vi na entrada, afinal, na sala de jantar não via nem minhas próprias mãos), acho que eu, Renata, Rodrigo e André éramos as pessoas mais jovens do lugar. Até porque não é o restaurante mais barato que se vai encontrar em Berlim. A brincadeira toda não vai sair por menos de 40 euros por pessoa, mas vale cada centavinho, eu garanto.

O garçom nos ajudou a sentar nos lugares, explicou onde as coisas estavam fazendo analogia a um relógio (como se cada coisa estivesse em uma "hora" diferente) e começou a trazer nossos pedidos. Já na coca-cola a gente saiu batendo coisas, não encontrando os copos, rindo meio alto e causando um tanto no restaurante cujo volume da voz dos clientes, por princípio, já era 20% mais baixo que o nosso. Então imaginem a cena, porque né, nem a gente viu.

 Aí chegaram as saladas e acertar as garfadas nas folhas era complicado, mais complicado ainda era não acertar o garfo na própria cara. Parece um exagero, mas a gente perde completamente o referencial quando não vê nada. O lado bom? É impossível não  comer tudo muito mais devagar, com mais calma. Mais legal ainda é, em tempos de malditos smartphones, jantar com amigos sem ninguém (nem uma vezinha) olhar no seu iPhone, fazer fotos para postar no Instagram ou simplesmente responder uma mensagem enquanto se janta. Se alguma luzinha brilhar durante a janta, você, além de ser um babaca, será convidado a se retirar. 

Eu aprendi a comer verduras não faz muito. Então, confesso que, fora alface, um pedaço de salmão e molho com gosto de amora num cantinho do prato, não reconheci muita coisa. O que também não foi um grande problema.  Nosso prato principal veio e ninguém sabia exatamente dizer que carne era aquela cortada em pedacinhos. Parecia um jogo de adivinhação: cada um contava o que pegava e dava palpites do que aquilo deveria ser. Em certa altura da noite, boa parte do time desistiu e confessou ter abandonado os talheres. Afinal, "ninguém tava vendo nada mesmo". 

A sobremesa veio e eu não acertei a colher no copinho com musse de café e chocolate nenhuma vez. Depois de comer, a gente ainda ficou um bom tempo sentado falando bobagem no escuro e ganhamos até a antipatia de algum cliente que berrou "quiet, Italy". O colega germânico aí que acha que fala italiano até podia estar de mau-humor, mas a gente estava bem faceiro e contente com toda a experiência. Na saída, antes de pagar, a moça do caixa nos entregou um folheto com o que comemos. Experimentei carne de veado e mais um tantão de coisas que nunca tinha comido. Super recomendo a brincadeira toda.


Unsicht-Bar
Gormannstraße 14
U Rosenthalerplatz

 
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sábado, 26 de maio de 2012

Um mapa para se achar nas dicas

Para ajudar quem vai pra Berlim a se achar nas dicas, criei esse mapinha no google com todos os lugares de onde já falei aqui no blog. Além das dicas já dadas, ali tem outros lugares dos quais não consegui falar ainda e você, amiguinho leitor e viajante, também pode colaborar. O mapa está aberto pra quem quiser deixar sua dica ali. É só clicar e participar :)


Visualizar Lugares de Berlim em um mapa maior

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Fim de festa, mas nem tanto



As últimas semanas em Berlim, como era de se esperar, foram cheias e não sobrou nenhum segundinho pra sentar e escrever pro blog. Isso significa também que nessas semanas deu para juntar um bom material postável. Assim, estou de volta em Porto Alegre, mas esse blog segue (não se sabe ainda até quando) com dicas de lugares e coisas pra fazer na melhor cidade do mundo :P

Pra não dar aquela dorzinha no coração ao pensar em Berlim, o primeiro post aqui do Brasil é mais um fato sobre a Alemanha do que sobre Berlim. A ideia surgiu numa conversa com a Luiza, que não está no Canadá, mas em Hamburgo.  A gente debatia sobre algumas tosqueiras musicais da noite na Alemanha. Se for a uma festa daquelas "toca tudo"ou na casa de alguém, é muito provável que você em algum momento vá ouvir alguma dessas músicas. Não dá pra enquadrar todas em um gênero só e nem todas são coisas que se levam a sério. São piadas que viraram coisa séria, como acaba acontecendo algumas vezes.

Mas vamos lá, apresento aqui algumas tosqueiras de fim de festa (ou nem sempre) que a galera vai toda dançar e cantar junto em alemão. Divirtam-se!

(se você estiver sem paciência, mas quiser ver uma das coisas mais toscas do universo, recomendo correr direto para o fim do post)

Deichkind - Remmidemmi
Eles se chamam de uma banda de TechRap (mistura de techno com rap) e, com bastante humor e um tanto de ironia, nessa música eles descrevem uma festa "muito louca". Porque, né, "pessoas impulsivas não conhecem limites". A banda é conhecida por algumas das apresentações mais doidas da Alemanha, assim o vídeo aí tem um monte de shows deles.


Já esse outro vídeo aqui saiu esse ano e é meio no espírito "classe média tira sarro". Por que é "ruim pra cabeça, ruim pro futuro, mas infelizmente foda"

Frauenarzt & Manny Marc - Das Geht Ab
Acho que pouca coisa faz todo mundo cantar (especialmente depois de uma certa hora da noite com uma certa quantidade de cerveja na cabeça) como isso aqui. É basicamente o cara dizendo que eles vão festejar a noite inteira. É o tipo de música que, querendo ou não, todo mundo lá conhece e sabe cantar.




Laserkraft 3D - Nein Mann
Eu não consigo levar isso aqui a sério e não sei se alguém no universo consegue. É o carinha cantando o tempo todo: "Não, cara, eu não quero ir ainda. Eu ainda quero dançar um pouco mais"


Alexander Marcus - Ciao Ciao Bella
Sabe quando a piada vira coisa séria? Isso é um dos melhores exemplos pra isso. Assim como no Brasil galera faz piada com o funk e fica famoso, na Alemanha nego tira sarro de Schlagermusik, que de uma maneira grosseira dá pra dizer que é o equivalente da nossa música sertaneja/brega. O espertinho aí transformou esse gênero de música hiper popular em "eletro", virou essa persona de cabelo cheio de gel, blazer e bronzeado artificial. Faz (fez?) o maior sucesso. O cara viaja a Alemanha inteira fazendo shows em hotéis chiques e nas apresentações todo mundo vai "fantasiado" tipo ele. A legítima piada que perdeu o controle hehehe




E como não podia faltar: duas famosas músicas do gênero "para beber"

Die Toten Hosen - Das Altbierlied
Ninguém no mundo é mais fã de Düsseldorf do que os Toten Hosen. Por isso, eles fizeram essa música pra homenagear a cidade que é o "maior balcão de bar do mundo" (die längste Theke der Welt"). Quando morei em Düsseldorf não tinha uma noite em que isso não tocava, mas já ouvi essa música em tudo quanto foi canto da Alemanha




Otto Waalkes - Grund zum Feiern 
No meio de um monte de nomes de bebidas, o cara canta "nós temos motivo pra festejar ninguém mais consegue caminhar, mas a gente ainda consegue beber".




E duas tosqueiras especiais não tão conhecidas, mas com imenso valor sentimental:

Hildegard Knef - The Coffee Song
Sabe-se lá de onde essa doida tirou isso, mas essa canção "carnavalesca" diz o seguinte: "no Brasil não tem nada além de café". E desde que ouvi essa música em uma boate em Berlim em 2009, ela virou a piadinha com meus amigos polacos.


Renato Pantera - Ganz genau
Na mesma semana em que eu, amigos brasileiros e os polacos descobrimos que "no Brasil só tem café", fomos hostilizados por uma bêbada no metrô que achou um absurdo um bando de brasileiros não conhecer o Renato Pantera. Segundo a própria, ele era o máximo por ser "bonito, preto e divertido" (schön, schwarz e unterhaltsam). Ao tentarmos entender do que a doida falava, nos deparamos com o Cumpadi Washington pra alemão ver.


prometo mais pra frente um post com músicas decentes em alemão ou de bandas alemônicas :P

sábado, 21 de abril de 2012

Mercadão vietnamita (asiático, na real)


Fazia um tempão que eu queria conhecer o tal mercado "vietnamita" de Berlim, o Dong Xuan Center (juro que sempre que leio esse nome penso em alguém dizendo "don juan" só que com sotaque oriental. Me perdoem pela piada infame, mas precisava dividir com alguém heheh). Depois de algo como 50 minutos contando a viagem de metrô e tram até o lugar, cheguei em Lichtenberg, bairro onde fica a coisa toda. O negócio é basicamente a 25 de março de São Paulo só que dividida em oito enormes galpões. E não é só vietnamita, é mais um mercado asiático mesmo...




Lá você encontra absolutamente de tudo: perucas, bolsas, sapatos, cachecóis, comida e qualquer ingrediente da cozinha oriental, ferramentas, malas, toalhas.... todo o tipo de tralha que existe no mundo, tem pra vender lá e muito mais barato que em qualquer outro lugar na cidade. Achei engraçado que até uma loja "hippie" tinha lá. Ou seja, os hippies de hoje em dia não são mais os mesmos, afinal, dá pra comprar todas as pulseirinhas e colarzinhos de sementes e miçangas exóticas já prontos e de balaio num atacado tsc, tsc, tsc. Ah, e muitas das coisas que vedem nos mercados de pulgas como "vintage", como aquelas correntes lindinhas com relógios,  dá pra comprar por três vezes menos nesse mercadão também.

Obviamente, quase nada tem preço e, na maioria das lojas, os vendedores nem olham pra tua cara. Você com sua cara de óbvia de turista não está a fim de comprar 25 cachecóis duma vez e por isso eles não tão muito interessados em você não. A não ser pelo fato de que eles podem dizer o preço que bem entenderem e ainda assim você vai achar barato. De qualquer jeito, se algo parecer meio absurdo, olhe na banquinha do lado e dê uma choradinha. A tentiada é livre, como sempre.

O mercado fica numa vizinhança com uns prédios de indústria abandonado. Visual bacaninha :D
Pra ter uma noção, saí de lá com um colar, uma bolsa e um cachecol por 11 euros. Bem baratinho. Quem comprar demais nas férias e precisar duma mala nova pra voltar pra casa, aproveite o passeio pra levar aqui. É bem mais barato que em qualquer outro lugar (a não ser que seja época das grandes liquidações nas lojas grandes). Ah, e tem que ir quando tiver no clima de fazer compras meeeesmo. Leva manhã ou uma tarde inteira a função. Só chegar até lá já leva um bom tempo, o negócio é grande e eles não aceitam trocas. Sendo assim, é bom prestar bastante atenção no que você está comprando, porque não tem volta. Outro detalhe é: não rola comprar com cartão de crédito, mas no galpão 3 tem um caixa eletrônico.



Delicinha vietnamita pro almoço
Se entre uma comprinha e outra bater a fome, além dos vários supermercados com especialidades asiáticas de todos os tipos, o Dong Xuan tem restaurantes vietnamitas e chineses onde dá pra comer bem e barato. Essa sopa da foto poderia ter alimentado meia Ásia e as porções de arroz frito são pra tirar a barriga da miséria de vez. Ah, importante, não importa o que você peça, vale acrescentar uma porção dos bolinhos fritos de arroz deles. Eu não entendo patavinas de comida oriental e não achei nem um grão de arroz no bolinho (à esquerda na foto), mas comi faceira. Outro detalhe bom de lembrar, se você não é acostumado a comer pimenta, vá com calma na hora de colocar molho na comida ou não vai ser divertido.  #ficadica.



Como chegar:

Dong Xuan Center
Herzbergstraße 128-139
M8 até Herzbergstr./Industriegebiet


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quinta-feira, 19 de abril de 2012

O dia em que eu virei "estrela" da música eletrônica (AHAM)

Berlim, terra de música eletrônica, o que não é lá muito a minha praia, mas é difícil se manter longe da "cena". Tanto que até eu entrei nessa brincadeira, de um jeito meio torto, claro. Num fim de tarde ocioso, um dos meninos que mora comigo (o prisioneiro da foto ali embaixo) me pediu pra falar umas bobagens em português que ele ia gravar. O guri mixou alguns trechos com uma faixa que ele fez no computador e deu nisso.

A parte "humana" (leia-se as risadas e as bobagens em português e em alemão) no final e no começo da música são "obra" desse ser aqui. O resto é tudo culpa do Felix mesmo.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Literalmente: um bar. Só que ao contrário

Madame Claude, o bar só que ao contrário. Literalmente
Não, não é que Berlim seja uma cidade tão doida que desafia até as leis da gravidade, Mas sabe aquela piadinha infame do "só que ao contrário"? No Madame Claude, ela é real. É só olhar pro teto e ver que toda a decoração está ali e te dá a impressão de que você está de cabeça pra baixo. Bem bacaninha, não? Na primeira vez que eu fui, fiquei hooooooras só olhando os detalhes no teto. É tudo muito bem feito, vale a observação.


O bar é um típico exemplo de como são a maioria dos bares aqui em Berlim e especialmente em Kreuzberg: pequenos, super bonitinhos, com uma pequena pista dança/sala de apresentações. No Madame Claude, a coisa geralmente funciona assim: sexta e sábado tem sempre algum show e depois um dj e no domingo é dia de "microfone aberto". O legal é que por ser bem pequeno os shows ficam super como se fosse na sala da sua casa e geralmente as bandas que tocam lá têm uma vibe mais calminha assim.


Depois que termina o show, o DJ começa a tocar e aí fica difícil pra achar um lugar pra sentar. Então, o melhor é seguir de pé e dar uma dançadinha mesmo.


Dá uma olhada no que tocou lá no dia 2 de março por exemplo:



Como chegar:
Madame Claude
Lübbener Straße 19
U1 Schlesischestor


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